Eu tenho feito coisas sozinha, estado sozinha, escrito sozinha. Não por falta de pensar alguém. Excesso? Eu tenho os meus segredos. Você? Tenho calado. Sentido falta do que sequer existiu, preenchido espaços que se criam entre mim e uma outra parte de mim que não cansa em se perder. Tenho me perdido. Caminhado? Dormido. Venha uma vez apenas. Um oi. Liga só para dizer que não vai mais ligar, mas liga. Por que você mente? Omito. Cartas já não adiantam mais: quero ouvir a sua voz. E tenho pensado no que fazer desse buraco que cresce e cresce e cresce e não vai se fechar porque é meu agora e é pra sempre. E cresce dentro dessa coisa molhada e vermelha que a gente chama de peito, e não é o peito mesmo, de seios e mamilos, é peito dentro, no fundo, cresce dentro dessa coisa uma vontade absurda de não ser. Não fazer e não pensar. Imagino que seja isso o que chamam de dor, ou sono. E pode ser mesmo só um sono, desses de dormir para sempre dentro do buraco que criei.