terça-feira, 9 de junho de 2009

Em tempos de mudar


Nos vemos por lá.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Uma taça de vinho não transforma moinhos em gigantes, nem me vira a cabeça o suficiente para que devaneie. Não eu. E não que tente justificar as palavras que escorrem soltas e que jamais utilizarei em projetos e afins. A questão é: aprendi a ser sozinha dentro. Juro que pensei em falar de amor, assim, só pra variar. Algo legal, sobre o dia dos namorados ou coisa parecida. Pensei em escrever sobre como é bom encontrar alguém que completa nossas lacunas; ter o que fazer nas tardes de domingo. Mas daí me bateu uma depressão fim de festa, recorrente por aqui. É que por mais que eu esteja bem, sempre tem alguma coisa num canto empoeirado que dói. Faltam pedaços que não podem ser preenchidos por você, ou pelos outros que vieram antes. É doença, acredita. Loucura não – algo além: uma saudade sem fundamentos de vidas que não conheço. Uma vontade mórbida de não existir. Quero referências, soluções; tenho caprichos. Oh, como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Outra vez conto minutos para férias. Planos de viagem fervem. Penso nas possibilidades. E im. Praia e serra. Frio. Penso no que quero me forçar a sentir e escrever. Páginas; talvez livros. Diários e cartas. Cartografias. Duas semanas quatorze dias. Pouco quando é; muito quando falta. Penso no que vou pensar, outra vez, antes de cruzar as esquinas da nossa cidade. Não vou. Viajo, me mando, me sumo. Sabe por quê. Levo meus sons, minhas letras, meus papéis. E sumo. Duas semanas quatorze dias. Meio mês de ausência de mim. Desta vez não fico, sabe por quê. Não acredito mais que. Isso. E sumo. Depois volto. Como sempre.
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Foto por Sílvia Mendes - São Francisco do Sul

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cansada; e nem é porque você se foi. Busco desculpas pra falar da dor – justificar meus olhos e as outras coisas. Querido diário me aborrece. Tudo. E não faço bem porque não minto. Sem suportes para encarar o estranhamento que a verdade causa. E se a vó ler? Digo que inventei. E invento mesmo algum sentido e algum medo e causas. Nem é porque você se foi: é porque só sei falar de você e da saudade que passou. Sobra um nada que aborrece. Seria culpa sua de qualquer jeito.

domingo, 24 de maio de 2009

Soneto XVII

Foto por Roberta Watzko - Making Off do passeio em São Francisco do Sul

de Pablo Neruda

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Como se fosse pouco. Pouco demais. Como se fosse de menos. Quase nada. Eu queria mesmo era que sobrasse. Escorresse pelas bordas. Um mais que ter: saber. Um meu. Responde hoje. Espero em frente à caixa. Plantada. Pintada em ouro e couro e medo de você não vir nunca. Ou se mandar aos poucos. Pouco demais. Um quase nada. Põe-se inteiro no envelope hoje. Falaram-me: eu mando. Obedece. Obedeço.
Eu tenho feito coisas sozinha, estado sozinha, escrito sozinha. Não por falta de pensar alguém. Excesso? Eu tenho os meus segredos. Você? Tenho calado. Sentido falta do que sequer existiu, preenchido espaços que se criam entre mim e uma outra parte de mim que não cansa em se perder. Tenho me perdido. Caminhado? Dormido. Venha uma vez apenas. Um oi. Liga só para dizer que não vai mais ligar, mas liga. Por que você mente? Omito. Cartas já não adiantam mais: quero ouvir a sua voz. E tenho pensado no que fazer desse buraco que cresce e cresce e cresce e não vai se fechar porque é meu agora e é pra sempre. E cresce dentro dessa coisa molhada e vermelha que a gente chama de peito, e não é o peito mesmo, de seios e mamilos, é peito dentro, no fundo, cresce dentro dessa coisa uma vontade absurda de não ser. Não fazer e não pensar. Imagino que seja isso o que chamam de dor, ou sono. E pode ser mesmo só um sono, desses de dormir para sempre dentro do buraco que criei.